Subversão em Ouro Preto



A Ouro Preto do tempo da Inconfidência é bem singular. Já contamos aqui sobre um personagem misterioso, chamado de Embuçado, que até hoje não se sabe, exatamente, quem foi e quais eram suas motivações. Neste post, vamos para outro mistério, que nem é tão misterioso assim, atualmente. Porém, deu o que falar na antiga Vila Rica.


Poucos anos da Inconfidência, começaram a circular por Ouro Preto poemas satíricos muito bem escritos, de acordo com o estilo vigente na época (versos decassílabos sem rima), com bastante ironia ao tratarem dos governantes e dos governos de Minas e do Brasil. Quem escreve é Critilo, e o destinatário é Doroteu. O teor são, principalmente, críticas ao governador, Fanfarrão Minério. O narrador vive em Santiago do Chile, o governador é chileno e o conjunto de poemas passou para a história como "Cartas Chilenas".


Muito se especulou sobre o autor das 13 cartas, que circularam em Vila Rica. Hoje, a autoria é tida como certa: Tomás Antônio Gonzaga, ouvidor de Vila Rica, inconfidente, poeta da Arcádia Mineira e eternizado como Dirceu, amante de Marília, seria o responsável por endereçar ao amigo, Cláudio Manoel da Costa, também poeta e inconfidente, as críticas dirigidas ao governador da época, Luís da Cunha Meneses.


O clima de desgosto com a política da época era flagrante. O governador das cartas, Fanfarrão Minésio, é descrito como despótico, louco, narcisista. Luís da Cunha Meneses governou a capitania de Minas Gerais de 1783 a 1788. A Inconfidência Mineira aconteceu sob seu governo.



Foto: Leo Homssi

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